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Ao retornar ao Dihitt me deparei com diversas postagens deliciosas de ler.

Algumas me provocaram a comentá-las, outras evitei por serem polêmicas demais para meu atual estado de espírito.

Dentre as postagens que adorei foi o Desafio Literário no “Blog de Poesias Infinito Particular”, da professora Malu, que, por sua vez, recebeu da Sandra Portugal do blog “Projetando Pessoas”, que recebeu de uma amiga portuguesa Mafalda do blog “A felicidade é o caminho”. É um negócio viral essa coisa de blog! rs*

Enfim, o desafio consiste em responder algumas perguntas de teor literário. Lá vai!

1- Existe um livro que leias e releias várias vezes?
Sim – Na verdade são vários, na maioria clássicos de Machado de Assis.

2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Sim – “O menino do dedo verde” de Maurice Druon. Sempre comecei lê-lo para meus filhos, mas sempre dormiram antes do fim. Não me contem o final, pois ainda vou terminá-lo. rs*

3 - Se escolhesses um livro para o resto da tua vida, qual seria ele?
Concordo com a Malu que esta é uma pergunta difícil. Mas fico neste momento, ciente da incoerência, com “Felicidade Clandestina” da Clarice Lispector.

4 - Que livro gostaria de ter lido, mas que por algum motivo nunca leste?
Nenhum – Sempre que quis ler um livro, o li. Ainda que não chegasse ao fim.

5 - Que livro cuja "cena final" jamais conseguiste esquecer?
Na verdade não é um livro, mas parte de um, a Bíblia. A última conversa de Jacó, Israel, com seus filhos (Gênesis 49).

6 - Tinhas o hábito de ler quando era criança? Se lia, qual era o tipo de leitura?
Sim - Como a grande maioria das crianças quando começam a ler, devorava Monteiro Lobato.

7 - Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Por quê?
Isto é bem recente. Um livro que achei chato, no expoente da palavra, é “A Cabana”, do Willian Paul Young. Porque os diálogos são entediantes, com um final que em nada tenta explicar seu início. Chato!


8 - Indica alguns dos teus livros preferidos:
- Mito da Caverna (Platão)
- Liberdade Sem Medo, Summerhill (Alexander Sutherland Neill)
- Dinheiro Queimado (Ricardo Piglia)
- Três. Casos policiais de Mário Livramento (Flávio Moreira da Costa)
- A hora da luta (Álvaro Cardoso Gomes)


Alguém mais se habilita ao desafio?

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Recado aos amigos

Por Sérgio Marcondes Soares 16 comentários
Depois de muito ponderar, decidi me aposentar da minha profissão. Estava mentalmente exausto e melancólicamente entediado.

Estou deixando de ser jornalista, mas não blogueiro. Continuarei escrevendo neste blog minhas impressões do que vejo e do que sinto. Afinal, esta foi a razão pela qual iniciei esta página pessoal.

Talvez não venha escrever da mesma forma. O blog certamente refletirá meu novo estado, nada mais natural.

Aviso aos que se preocuparam ou sentiram minha ausência, que estou apenas adaptando-me a meu novo ritmo de vida e que em breve retorno!

Um forte abraço!

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O valor do metro quadrado no Brasil cresceu 400% nos últimos dois anos. Em bairros considerados nobres nas grandes cidades, próxima de centros de compras, parques, restaurantes e com boa infraestrutura viária, este aumento é ainda mais significativo, chegando a 600%. O investimento nestas áres demanda de R$ 4.000 até R$ 7.000 o metro quadrado.

O levantamento foi realizado pelo Secovi (Sindicato da Habitação) por meio das unidades regionais de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Pernambuco e Bahia, que correspondem a cerca de 3.000 dos 5.565 municípios brasileiros.

Segundo a pesquisa, o preço do metro quadrado é maior em São Paulo e Rio de Janeiro, os menores preços estão em Salvador e Porto Alegre. Estima-se que 1500 empreendimentos habitacionais estão em lançamento ou em construção, número que corresponde a pelo menos 150 mil novas moradias. O valor médio do metro quadrado desses imóveis fica entre R$ 1.200 e R$ R$ 7.000, variando de acordo com a localização, estrutura do bairro e, em alguns casos, do condomínio.


O robusto aumento dos valores se deve ao programa federal "Minha Casa, Minha Vida" que entregou até agora algo em torno de 100 mil casas --longe dos 1 milhão prometidos no lançamento do PAC-- mas que encareceu possíveis investimentos em moradia.


Caso a tendência de aumento se solidifique, aqueles que ganham até 3 salários mínimos estarão mais distante de conseguir a casa própria nos próximos anos, já que o programa federal tem assistido os que ganham acima de R$ 1.800 ao mês alegando não poder financiar mais que 30% da renda.


Ou seja, os que ganham abaixo dos 3 salários mínimos (que são os que precisam de financiamento) além de não estarem aptos a usarem o programa federal, ainda estarão com a vida mais difícil ao negociar com as construtoras.


Além de prometer e não cumprir, o atual Governo Federal brinca com o sonho de milhões de famílias brasileiras de terem sua casa própria.

Com informações do Secovi (Sindicato da Habitação)

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Dilma: A esfinge brasileira

Por Sérgio Marcondes Soares 19 comentários
Líder nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência, a candidata Dilma Rousseff (PT) é uma esfinge política que espanta parte do eleitorado brasileiro, ávido por uma gestão de risco zero. Para os que ainda não definiram seu voto, enxergam em Dilma mais do que a roupagem moldada pelo Palácio do Planalto.

Não é a falta de experiência nas urnas que a transforma em incômoda incógnita, o eleitorado já colocou em diversas prefeituras técnicos indicados por lideranças políticas, sem jamais questionar sua virgindade eleitoral. O que assusta em Dilma é o que não está no rótulo de candidata oficial, o temor de um esquerdismo tardio, inspirado na luta armada contra a ditadura.


Quando se lança a suspeita de que a candidata será dominada pelos aloprados do PT e pelos aliados do ex-ministro José Dirceu, portanto, a vacina não é propriamente contra possíveis esquemas de corrupção ou aparelhamento da máquina pública. Nas redes sociais e sites de relacionamento pela internet, Dilma ressuscita até o antigo mote de Regina Duarte contra Lula. O “medo” é a palavra de ordem.


Parte da oposição alimenta esta percepção, valendo-se de todas as oportunidades para associar a candidata chapa branca ao sectarismo e a ideias ultrapassadas. Para muitos eleitores, a estratégia parece perfeita e reforça suas convicções. Para a biografia e o futuro político de José Serra (PSDB), é uma iniciativa de risco. Serra sempre esteve na vertente mais social-democrata de sua legenda, comprando brigas ingratas com os liberais na área econômica, defendendo avanços em liberdades individuais e direitos civis. A reboque de um discurso que não lhe pertence, o candidato tucano limita seu horizonte.


Com o acender das urnas cada vez mais próximo, parece inevitável que a esfinge se assente na cadeira presidencial em 2011. Resta saber se o tal "medo" de novas intentonas contra a liberdade de imprensa e expressão, abraçado com o ideologismo cada vez mais popular e menos racional, será confirmado. Resta saber se irá concretizar-se aquele PT que todos temiam. Contudo aquele PT sem o mesmo romantismo, pois grande parte dos próprios criadores do partido não o reconhecem. Aquele PT que nem mesmo os intérpretes do Jingle que emocionou o país --Lula-lá, com Chico Buarque, Djavan e Gilberto Gil--
o defende e hoje pedem votos para Marina Silva (PV), que outro dia confundiu-se e pediu votos para José Serra (PSDB).

Tal como a esfinge egípcia, a brasileira é um mistério.



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Guerra a Erenice

Por Sérgio Marcondes Soares 8 comentários
A ex-ministra Erenice Guerra foi tarde. Ela faz parte de uma perversa estirpe de assessores políticos que fez carreira à sombra dos gabinetes do Congresso Federal e do governo federal e se acostumou com a ideia de que, em Brasília, o anormal é não se locupletar com o dinheiro público.

Com o afastamento de Erenice, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta repetir a estratégia do DEM no episódio do mensalão do Distrito Federal, quando o partido prontamente entregou seu único governador às feras para sustentar a tese de que não compactuaria com a corrupção.

O comando político do Planalto passou a considerar a situação da ex-ministra insustentável a partir de terça-feira, quando Erenice misturou a campanha eleitoral com a defesa de seus familiares.


O problema é que a ex-ministra trabalhou junto com a candidata oficial, Dilma Rousseff (PT), e ganhou o comando da Casa Civil com o seu beneplácito. Parece improvável que Dilma consiga descolar sua imagem de candidata deste novo escândalo, mesmo que o presidente Lula assuma o papel de faxineiro de última hora.

Com a crise envolvendo a ex-ministra da Casa Civil, a oposição ganha a última oportunidade de levar a disputa presidencial para o segundo turno. Nos próximos dias, o candidato do PSDB, José Serra, tratará de explorar toda a repercussão do caso em sua propaganda eleitoral, ampliando a indignação de parte dos eleitores de renda mais elevada e de nível universitário, o único setor do eleitorado que reduziu a adesão à candidatura chapa branca após as denúncias de quebra de sigilo fiscal.

Sem conseguir convencer a maioria dos eleitores que possui alternativa de governo concreta para o país, só resta à oposição o incentivo ao voto de protesto, neste caso, o papel poderia ser desempenhado com mais facilidade por Marina Silva (PV).


Não adianta reclamar do clima de vale-tudo: infelizmente, as entranhas do governo só ficam expostas durante as campanhas eleitorais.


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Além do PRI

Por Sérgio Marcondes Soares 1 comentários
Mexicanização: predomínio durante décadas do Partido Revolucionário Institucional (PRI) no México.

Enquanto boa parte dos analistas políticos e lideranças da oposição se debruçam sobre o risco de mexicanização do país, o presidente Lula leva adiante um projeto político ainda mais temerário. Quando pede que siglas como o DEM sejam extirpadas, o petista exibe um rancor que não condiz com sua condição de líder mais popular da história do país e sinaliza para um esgarçamento das relações políticas que não favorece a construção de um país mais justo e democrático.

Se Dilma Rousseff (PT) ganhar a eleição, não será positivo para o governo petista lidar com uma sociedade dividida, com o antagonismo à administração federal chegando às raias do extremismo. O respeito e o diálogo com as minorias são essenciais para evitar que o Brasil se transforme em uma grande Venezuela, transmudando chavismo em revanchismo.


O acirramento das posições ao longo da campanha eleitoral e as denúncias de malfeitorias feitas à sombra do Palácio do Planalto não deveriam surpreender um líder político que gosta de lembrar, nos comícios, todas as vezes em que foi vítima do preconceito. Do mesmo modo que elogiou a Polícia Federal por ter prendido um candidato ao Senado envolvido em um esquema de corrupção, Lula deveria ter a hombridade de admitir que uma imprensa livre e independente fortalece a cidadania.


Ninguém vai tirar do eleitor o direito de decidir sobre o futuro do país em 3 de outubro e este é um valor máximo conquistado pela democracia brasileira. Resta esperar que o presidente da República desça do palanque, reassuma o seu papel institucional e conduza com serenidade o processo de transição política, qualquer que seja o resultado da eleição.


Os significativos avanços sociais e econômicos conquistados pelo Brasil ao longo dos últimos anos só serão consolidados com maturidade política. Todos as legendas e partidos podem contribuir, mesmo que eles não estejam ideologicamente alinhados com os ocupantes dos Palácios.


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Que o mundo está diferente, todos sabemos, ou pensamos saber! Ainda há pouco era impensável imaginar que americanos, europeus e japoneses sofreriam com a concorrência de países vistos antes como meros "bolsões de pobreza". Com produção em quantidade e impressionante variedade de produtos e serviços, as cabeças pensantes do mundo (Estados Unidos, Europa e Japão) conseguiram gerar riquezas, via comportamentos, culturas e planos, construindo empreendimentos notáveis que inovando, conquistaram vantagens competitivas, criativas e qualitativas, oferecendo ao mercado global produtos e serviços superiores ao que se produzia no passado.

Porém com a chegada do progresso das comunicações universais e instantâneas, que eles mesmos criaram, o consumidor tornou-se mundial. A inovação ganha na competição, ampliando espaços mercadológicos sobre o tradicional e novos paradigmas vieram para ficar.

Inicialmente a ameaça veio dos "tigres asiáticos", depois entraram China, Coréia do Sul e Índia, e hoje centenas de países batem de frente no mercado com as potências solitárias, até então. Os novos participantes do bolo da produção mundial tomaram a iniciativa e estabeleceram estratégias e parcerias eficazes entre governos e os setores produtivos, envolvendo investidores nacionais e internacionais. Compreenderam que os produtos de maior valor, intensos em componentes e equipamentos, não precisam ser unicamente fabricados com insumos nacionais. Conceberam diferentes infraestruturas humana e material, modificaram o passado via criativas legislações e regulamentos. Enfim, geraram novas posturas políticas, praticaram ações de mudança necessárias para trilhar caminhos do sucesso, criando horizontes de confiança no futuro.


O Brasil vislumbra hoje um futuro promissor. O que antes parecia jargão eterno do "país do futuro", agora parece que esse futuro chegou ou está muito próximo.


Claro que o então governo aproveita-se dos momentos de bonanças para se mantêr no poder, ampliá-lo e conjugá-lo à sua eficiência administrativa. Mas se o governo brasileiro é eficiênte, o que dizer dos governos da Coréia do Sul, da Índia e, principalmente, da China? Seriam eles seres divinos na Terra? Sim, pois esses países crescem à passadas muito maiores que o Brasil. Para eles, o futuro já é presente.


Se existe alguma eficiência no atual governo brasileiro é a de conseguir passar sua ineficiência como uma eficiência divinal e insuperável por qualquer outro.

Se o mundo mudou, será que nós, brasileiros, mudamos? E será que mudamos o suficiente?


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Encontro casual em Paris

Por Sérgio Marcondes Soares 11 comentários
Depois de algum tempo afastado do blog, por necessidade de trabalho, estou de volta.

No tempo em que estive viajando, passei por diversos lugares e conheci muitas pessoas, profissionalmente e interpessoalmente.


Uma das pessoas que mais me chamaram a atenção nesta viagem foi Carla. Uma jovem linda, de corpo invejável, um sorriso encantador, com olhar distante e vazio. Como quase a totalidade dos brasileiros fora daqui, com muita saudade da nossa terra.


Casualmente a encontramos em um restaurante em Paris, enquanto minha esposa e eu esperávamos mesa para jantar. Ao perceber que éramos brasileiros, a garota aproximou-se e se apresentou. Em uma breve conversa, cerca de 20 minutos, disse que era de São Paulo e que trabalhava em Paris há cinco anos. Dissemos que ficaríamos alguns dias na cidade e a convidamos para jantar na noite seguinte.


Ao telefone marcamos o lugar, horário e nos encontramos. Depois de algumas taças de vinho e muita conversa alegre, a jovem nos surpreendeu com o porquê de sua estada em Paris. Ela estava na Europa há cinco anos trabalhando como garota de programa. Mas não uma garota de programa qualquer, fazia programas caros, salientou ela.


Ela nos disse que era paulista, tinha 25 anos e que deixou a casa dos pais no interior do Estado para viver como garota de programa de luxo em Paris. Carla em nada lembra garotas que oferecem sexo por trocados nas ruas e praças. Certamente ninguém que não a conhece imaginaria que a estudante universitária, que mora em um bairro nobre da cidade parisiense, encontrou no próprio corpo uma fonte de renda, uma forma de sustentar-se em uma das cidades mais caras do mundo.


Longe das ruas e livre de cafetões, a paulista de uma família de classe média e estabilizada no Brasil, não conseguiu libertar-se do preconceito que ronda a profissão que escolheu quando tinha 19 anos, não se libertou do preconceito alheio e nem mesmo do seu próprio preconceito. É raro encontrar garotas de programa que dizem a profissão sem demonstrar descontentamento ou mesmo enaltecer o que escolheram.


“Não é fácil conviver com isso. Primeiro porque as pessoas te olham e julgam para depois saber quem é você, se é boa pessoa, se paga as contas em dia. Enfrentar o preconceito é uma coisa difícil, que machuca”, disse Carla, que sonha ter filhos e uma vida que ela mesma considera ‘normal’.


“Com certo tempo, aprende-se a ignorar certas coisas. Hoje não me importo com olhares atravessados. No começo foi um martírio. Se não soubesse o que queria, não teria vencido muitas coisas”, afirma a jovem, que consegue manter uma renda mensal de US$ 30 mil com clientes fixos, fora os programas extras. Ela acrescenta que o mínimo que recebeu por uma hora de programa foi US$ 700,00 e o máximo US$ 5.000 por uma noite.


De certo a jovem não se orgulha da profissão que escolheu por não ser moralmente correta aos padrões sociais. Mas em mais de cinqüenta anos de vida, já vi tantos padrões sociais serem radicalmente alterados e muitos até exterminados, que não me espantaria ver mais um ser aniquilado com o tempo.

Carla me proporcionou um outro lado desta profissão. Fez-me ver que essas profissionais precisam de mais dignidade e menos dedos em riste, lhes dizendo qual a moral a ser seguida. Afinal, se existe oferta é porque existe procura.


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Fui à Cuba há uns quatro anos atrás em viagem de turismo. Pude ver de perto a agitação das praias do Caribe em Varadero e a decadente beleza de Havana. Além dos cartões postais e roteiros turísticos, descobri o medo e o silêncio que rondam o regime da família Fidel.

Num verdadeiro mausoléu a céu aberto, os cubanos fazem parte de uma engrenagem caduca. É o mundo das filas, do atendimento moroso e precário aos visitantes, dos carros cinquentões e do peso conversível, moeda paralela que antecipa a volta do capitalismo à ilha.

Em Havana, apenas cruzando a rua em frente ao hotel, pode-se encontrar cubanos de outra estirpe, encarcerados à sombra do regime comunista. Fiz isso algumas vezes. Certo dia conheci um funcionário de uma charutaria que aproximou-se de mim ao perceber que eu era brasileiro. Pediu para conversar em inglês, argumentando que havia um delator do regime comunista entre os funcionários do estabelecimento.

Em uma longa conversa, protestou da precária econômia, da falta de liberdade de expressão, do medo difundido pelo ‘seu comandante’. Elogiou a eleição do presidente Lula, mas manifestou-se preocupado com a sua conivência ao regime cubano. Até que questionou-me: “será que o senhor Lula vai seguir o caminho de Chavez?”. Emudeci.

Em todo seu governo, mesmo que não tenha percorrido os mesmos caminhos de Hugo Chavez, o presidente Lula fechou os olhos para o drama do povo cubano. O grande ápice desta conivência foi o silêncio do governo brasileiro diante da morte de um preso político em greve de fome, durante nova visita ao moribundo Fidel Castro, no início deste ano.

A esquerda brasileira atribui, convenientemente, todas as dificuldades dos cubanos ao embargo norte-americano. Mas até quando se sustentará esse argumento quando os próprios cubanos não suportam mais a mordaça que lhes foi imposta por revolucionários da liberdade?

Experimente gritar "Liberdade!" em uma praça em Havana e saberás do que digo.




Há alguns anos em viagem à Nova York encontrei, por um desses acasos da vida, pelas ruas da megametrópole com Yoko Ono, a senhora Lennon. Fiquei admirado, emocionado, comovido.

Na minha frente estava a mulher que conquistou, conviveu e foi amada pelo homem que disse ser mais famoso que Jesus Cristo. Mulher pequena, mas visivelmente forte, de personalidade marcante.

Queria eu entender como um ser como John Lennon havia se apaixonado por alguém como Yoko. Ele que podia ter a mulher que bem lhe entedesse.


Que comentário cruel, mas sejamos honestos, ela nunca foi um monumento à beleza e, sinceramente, ele na posição que estava, poderia ter conseguido mulher mais bonita. Simpatia ela não tinha, o que poderia diferenciá-la, não era. Lennon, que poderia ter um romance com Vênus ou Afrodite, preferiu Yoko. Então meus pensamentos sobre esta mulher que via na minha frente. Meu Deus, o que ela tem? No que ela é especial? Uma mulher pequena, fechada, séria, com cara de mal humorada.

Só eu pensei nisso? Ninguém mais?

Resolvi fragmentar a pessoa, tentar entender. Será que tem um furor sexual desses incontroláveis? Coisa que impressiona os homens, estes seres óbvios? Mas todos eram assim nos anos 60, possibilidade descartada. Yoko era artista, e artistas se seduzem, se entendem. Desisti quando vi as telas pintadas por ela. Será que ela se dava bem com os amigos dele? Isso para os homens é muito importante. Hipótese absurda. Os Beatles se separaram.

Jamais saberei. Mistérios da vida, do amor.




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