7 de abril de 2010

A omissão faz o caos

Se há, entre a população, tema sobre o qual todos se manifestam constantemente, é a baixa condição de segurança na qual todos vivemos. É raro quem não tenha opinião a expressara respeito, com maior ou menor conhecimento especializado no tema, mas, geralmente, com o traço comum de considerar insatisfatórias as medidas tomadas pelo poder público. Eis uma questão sobra a qual a opinião pública está presente e não se omite.

A população não tem muita confiança na polícia, nem no aparelho judiciário, nem na atuação dos governos e acha as leis frouxas ou insuficientes. Podemos objetar que muito das manifestações de desconfiança citadas se deve a uma visão incompleta da realidade, que vão muito além das esferas específicas da segurança pública. Pode-se, ainda, especular sobre os fundamentos sociais da criminalidade ou de diversos outros fatores. Não podemos ignorar, no entanto, o fato de que a população está profundamente insatisfeita e tem razões objetivas para isso.

Se tomarmos como base apenas as ocorrências mais graves, veremos que elas têm crescido consistentemente ao longo dos anos e não parece haver motivos para esperar que melhorem. Os nossos índices de homicídios chegam a ser mais de cinquenta vezes superiores aos índices europeus e, mesmo ao fazermos comparação com outros países latino-americanos, de cultura mais aproximada e com padrões sociais equivalentes, veremos que apenas a Colômbia, em guerra aberta há muitos anos, nos supera. O fato dramático de que quase metade dos óbitos de jovens e adolescentes, entre nós brasileiros, tem causa violenta é inaceitável, incluídos aí, também, os acidentes. Portanto, independentemente do reparo que possamos fazer ao grau nem sempre apurado de análise dessas questões, a população está cheia de razões ao reclamar.

Essa insatisfação generalizada a respeito do desempenho dos órgãos públicos é menos ingênua do que costumam julgar nossos intelectuais ou pretendentes a intelectuais. Às vezes, chega a ser patético ver as explicações dadas por supostos humanistas, que tudo atribuem à pobreza e à desigualdade, isto é, exatamente aos mais pobres e desfavorecidos, ou seja, àqueles que, mais que todos, se encontram hoje à mercê da cultura do crime. A classe que sente de perto o problema, que visualiza no dia a dia a injustiça de um ambiente de relações baseadas na intimidação e na violência, mostra-se pouco disposta a aceitar explicações abstratas de fenômenos sociais. Gostariam, tanto quanto as pessoas de melhor poder aquisitivo, de saber que as autoridades sabem distinguir, claramente, entre carência e banditismo. Sentem-se todos, constantemente, tentados a apoiar aqueles que fazem o discurso contrário, também simplificador, da exaltação pura da repressão que, como sabemos, é necessária, mas não suficiente.

Essa intolerância da opinião pública com as condutas lenientes em relação a criminalidade é tão evidente que, se aproximarem novas eleições, o instinto de sobrevivência no meio político faz com que mesmo os tradicionais defensores da complacência com o crime procurem recorrera a frases mais duras e se abstenham de aparecer ou fazer declarações de apoio a bandoleiros.

O sonho de assistir a um noticiário ou ler um jornal sem a necessidade de contorcer o estômago ainda parece distante. Com vastos problemas sociais e estruturais, o país tem que correr contra o tempo para dar mais segurança antes do tão esperado posto de 5ª maior economia do mundo nos próximos anos.

Acima de tudo, seria bom que fossem deixadas de lado as falsa doutrinas, as pretensões intelectuais equivocadas, e se reconhecesse que, afinal, a opinião pública é que está certa.

A melhor forma de demosntrar toda esta indignação é com seu dedo. Sim, seu dedo. Na hora de definir seu voto, não se esqueça: ele pode definir o futuro de todos, o seu futuro. Não se esqueça disso.



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8 comentários:

  1. Olá Sérgio!

    Nestas alturas nevrálgicas das propagandas eleitorais, que antecedem as nossas escolhas é mais que sabido que as promessas abundam de modo a irem de encontro às necessidades das populações. Penso que num país tão grande como o Brasil, a dificuldade está na filtragem da conversa fiada, para aquelas pessoas que não têm uma consciência politica muito enraizada (e que devem ser muitas).

    Eu não sei como é a política brasileira, mas num território tão enorme, descentralizar o poder o máximo possível, poderia ser uma medida no combate à criminalidade. Certamente que as necessidades de segurança do Estado de Porto Alegre são diferentes das do Rio de Janeiro. É essa a ideia que eu tenho, embora seja muito vaga. :)
    Abraços
    Luísa

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  2. Poisé, votar em quem? Enquanto isso, a PEC 300, que oferece um certo equilíbrio aos salários de policiais militares, civis e bombeiros, tá lá, empacada na Câmara, por conta, segundo os do contra (o Governo), das eleições deste ano. Se fosse aumento de salários pros Deputados a Proposta já teria sido aprovada há séculos! Enfim: es tu Brasil, és tu Brasil - ó Patria amada! :-( Bjão!

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  3. QUE POST FANTÁSTICO!
    AMIGO SÉRGIO

    O seu artigo é um retrato da realidade vivenciada por todos. Recursos existem de sobra para investir em material humano, infra-estrutura e equipamentos, ocorre, que é todo um sistema que se encontra viciado. São vários grupos a serviços de governos distintos, afora outro tanto que são especializados em levantarem recursos com a finalidade de se realizar, eventos, seminários, etc., que terminam por favorecer centenas de funcionários com diárias altíssimas, cujos estudos são remetidos aos arquivos do esquecimento, terminando por criar mofo nos gabinetes de mandatários totalmente descompromissados com o cidadão. Cuja saída, quando dos grandes fatos noticiados pela grande imprensa é eleger culpados e nada mais. E muitos especialistas com suas justificativas esfarrapadas agora deram para colocar culpas até na natureza.
    Quando realmente eles quiserem fazer a acontecer, eles executam, do contrário fingem não dizer-lhes respeito. Isso é que se aproxima da verdade.
    Um bom momento para fazer uma verdadeira limpeza e se construir outro quadro é agora.
    Parabéns por mais um excelente Post!
    Abraços,
    LISON.

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  4. Sergio, já estou em campanha!
    Venha!
    http://www.dihitt.com.br/noticia/rio-de-janeiro-campanha-de-solidariedade

    Beijos

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  5. A questão do sossego público é realmente um assunto muito delicado,Sérgio.É como cirúrgia no coração;urge mãos firmes e o auxílio de uma boa equipe,caso contrário,a sociedade terá,em curto prazo,que funcionar à beira de um colapso,isto se não morrer na mesa de cirúrgia política de alguns partidos,ou"médicos"de massas,eleitos sabe-se lá, por quais grupos de "doentes"sociais,que só lembram do "Hospital Camara&Senado" em época de "consulta" ou, quando já se está bem próximo da morte,como é o caso atualmente,em qualquer rua e esquina deste país.Torçamos,para que os menos saudáveis em política saibam escolher,e não sejam contaminados por falsos discursos "milagrosos",os quais,quando não matam,envenenam todo um sistema vital e necessário. Um abraço.

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  6. Sinceramente não acredito que o problema da violencia possa ser resolvido em um pais como o nosso do dia para a noite. O grande problema não é apenas a falta de leis ou leis frouxas, mas o fato de nenhuma delas serem cumpridas. E sabe porque politicos e autoridades não se preocupão em fazer nada? Porque fazer algo implica em pisar no proprio rabo.

    O problema começa na em cima na esfera politica, ou ainda em casa, quando os pais deixam seus filhos, ainda crianças, acreditarem que o Brasil não tem saida, e com isso eles crescem com a ideia de que ser politico e desonesto é o melhor caminho. Muitos pensam isso e é inegavel as vantagens que tem aquele que trabalha 4 horas por semana, ganha 40 mil por mes, rouba outros 2 ou 3 milhões por ano e quando é pego, não acontece nada porque ele tem imunidade parlamentar. Com isso um mecanismo arcaico, que foi criado para proteger politicos no tempo da ditadura, agora se virou contra a população.

    Sendo assim, uma vez que la em cima, la no topo do poder eles são corruptos, não podem fazzer e não querem fazer com que politicias e funcionarios publicos corruptos sejam presos, porque uma vez que isso seja feito eles não vão mais ter de onde tirar a parcela deles no suborno. Com policial, juizes e funcionarios de presidios corruptos, estar preso vira uma festa em que quem paga mais chora menos. Se a cadeia é festa, se ninguem vai preso, se politico e autoridade corrupta e extremamente ladrona ainda é uma pessoa de bem, me diga, quando, como e aonde a violencia e a degradação social vão parar?

    Como diria o Capitão Nascimento, Never Will Be.

    Bom, desculpe o texto longo, foi quase um post. Muito bom o seu blog.

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  7. Olá Sérgio!
    As eleições se aproximam e eu não sei,realmente não sei como votar de modo a melhorar o nosso futuro, nossa segurança,nosso direito à vida tranquila com trabalho e dignidade.
    Não sei como ajudar o país, a não ser dando exemplo,com o qual educamos 3 crianças, hoje homens que não são políticos, mas foram educados dentro de princípios que valorizavam a honestidade,comprometimento com a verdade e responsabilidade com os demais.Sou, como muitas outras pessoas, apenas um grão de areia, me sinto pequena...mas penso que,ajudaria muito se em vez de assistirmos aos terríveis "debates políticos" entre os candidatos, pudéssemos ver programas imparciais, nos quais fossem mostrados os curriculuns de cada um,e o que realizaram. E a segunda coisa mais importante, seria que nós, pudéssemos ver o fim da impunidade a começar pela dos políticos, é claro! Porque, penso que é esta impunidade que nos deixa a todos com a terrível sensação de impotência, mesmo nas vésperas de eleições!
    Abraço grande,Vera.

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  8. Caro amigo Sérgio,

    Vejo a polícia desaparelhada e mal preparada. O nosso legislativo atolado em denúncias de caixas 2, 3, 4,...n. O judiciário, mero aplicador de leis caducas e inoperantes. O executivo, prioritariamente preocupado em formar redes que sustentam sua perenidade no poder e, por fim, um povo que espera, ansiosamente, o período de festas no final do ano, começando no réveillon e se estendendo até a quarta-feira de cinzas, para extravasar suas frustrações provocadas por ele próprio, povo, que elege seus mandatários. E tudo recomeça, ciclotimicamente, ano após ano...Até quando?

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