11 de abril de 2010

A desprofissionalização do jornalismo

Podemos dizer que comunicação também é negócio e nem todos os profissionais são assim. Mas quem é jornalista conhece a luta diária para que essa missão seja cumprida diante dos prazos apertados e da pouca disponibilidade de recursos. São limitações que muitas vezes prejudicam não só a qualidade do produto final, mas também desestabilizam o ideal de vida que nos levou à escolha da profissão. Fizemos essa opção mesmo sabendo das condições adversas. E continuamos tentando cumprir o nosso papel, todos os dias.

Para quem não desiste, como eu, aí vai uma boa notícia: não somos mais “os incompreendidos”. Nosso foco de trabalho ganhou outro nome e ocupou o centro das atenções. Hoje, a “informação de interesse público” é chamada de “conteúdo relevante”. Para o novo marketing, isso significa trabalhar sobre quatro pilares que garantem o retorno de audiência: engajamento, entretenimento, conhecimento e prestação de serviço.

Alguma novidade? Esses quatro pilares sempre estiveram na nossa listinha de critérios de noticiabilidade, aquela análise subjetiva do que vale a pena entrar no jornal ou não. Alguns aprenderam esses critérios na faculdade, outros simplesmente os tinham arraigados na natureza de ser jornalista. Como o Google não indexa pixels ou bytes, mas sim palavras, nosso espaço está garantido no futuro da web.

A má notícia é que muitas agências digitais nasceram levantando a bandeira da modernidade, mas ainda são resistentes a esse cenário. A máxima agora mudou: beleza atrai, conteúdo convence. O consumidor da era digital é diferente e o chamado e-branding não pode ser focado na auto-promoção. De nada adianta marcar presença em blogs, sites, redes sociais e dispositivos móveis transmitindo uma avalanche de informações institucionais e incoerentes. Se elas não estiverem de acordo com aqueles quatro pilares – relembrando: engajamento, entretenimento, conhecimento e prestação de serviço. A estratégia de divulgação pode até ganhar fôlego, mas não se sustentará por muito tempo. Quem continuar “desprofissionalizando” seu conteúdo vai ficar pra trás.


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11 comentários:

  1. QUE POST FANTÁSTICO!
    AMIGO SÉRGIO

    Uma análise balizada e consistente em fatos que alguns ainda não perceberam a importância da aplicação dos quatro pilares citados acima, para se obter a estabilidade profissional para o bom desempenho de um jornalista.
    É importante ressaltar que, não conhecia sobre tão importante fundamentos, oportunidade em que tive de conhecer um pouco através de seu texto. Estou e preciso aprender um pouco sobre a nobre profissão.
    Parabéns pelo excelente post!
    Abraços,
    LISON.

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  2. Achei ótimo e uma conquista os jornalistas não precisarem mais ter um "diploma".
    existem tantos diplomados péssimos e sem ética que temos que engolir.
    espero que esta mudança aumente o padrão de qualidade da profissão.
    ao mesmo tempo que qualquer um pode se dizer jornalista, existem muitos que (apesar de não diplomados) realmente farão um bom trabalho.

    uma conquista.

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  3. Será que os "bebês" que saem de uma faculdade de jornalismo e hoje são "marketeiros 4 $", nunca ouviram falar em "Spreading the news" ou de Johannes Gutenberg? Impossível!Cambaleantes estarão sempre...

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  4. Caro Sérgio,
    Não sou jornalista, mas sou irmão e amigo de vários. O que posso dizer é que a medida é um resgate de princípios que nunca deveriam estar sucumbidos, assim como a ética que jamais deve ser esquecida.
    Abraços, Herval.

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  5. Os pressupostos básicos em qualquer profissão, ao menos na minha opinião, são o amor e a paixão como ela é exercida. Quem ama e tem paixão pelo faz, faz com ética e respeito.

    Eu sou advogado e luto prá sobreviver num meio nem sempre ético, onde o respeito ao colega nem sempre é observado, o que torna o exercício da profissão mais difícil, mas não impossível. Imagino que no jornalismo isso também aconteça, mas tenho certeza que essa circunstância não desviou você do caminho reto. Pelo menos é isso que se percebe nos seus escritos.

    Parabéns pelo blog, mais uma vez...

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  6. Olá Sérgio,

    As regras e ética basilares de qualquer profissão deverão estar sempre presentes. Pena que em algumas classes profissionais seja necessário "relembrá-las" constantemente. Mas se tem que ser, que seja, pois a informação de qualidade feita por jornalistas competentes é fundamental.

    Grande abraço
    Luísa

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  7. Interessente o texto...

    O blog é relevante!

    Um abraço,

    Ozenice Almeida
    www.evangelismoelouvor.com

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  8. Interessante que quando busco informações precisas na internet me deparo com dúvidas que me lançam à pesquisa. Assim como antigamente sentava na biblioteca para ler não sei quantos livros. Quando não me sinto satisfeita com que encontro, não aceito e vou buscar o conteúdo.

    O que vejo diariamente na internet é um monte de palavras "bonitas" que falam quase nada. Eu sempre fiz uma busca visual primeiro, leio os livros primeiramente com os olhos, depois com o cérebro. Não sei se entende. É difícil ter minha atenção presa, todavia, se me fixo, eu me concentro totalmente.

    O bom êxito se fundamenta nos alicerces do trabalho. Tais pilares são importantes para aqueles que tem paixão pelo que fazem. Do contrário, não haverá solidez nem credibilidade.

    Fiz faculdade de jornalismo, dei muito valor, carrego até hoje comigo tanta informação, mesmo sem atuar na profissão, emprego naquilo que faço o que ontem prestei atenção. E como!!! Lamentei demais quando "incineraram" nossos diplomas. Senti-me profundamente desrespeitada.


    "Trabalhai, fazei alguma coisa: é o alicerce mais seguro. (Jean de La Fontaine)"

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  9. Olá Sérgio,

    Muito interessante seu post, parabéns!
    Na verdade escrever para um público é ir além de somente produzir um texto, tem que se ter análise e reflexão sobre o que está sendo escrito.

    Há muita gente que gosta somente da "embalagem", eu particularmente prefiro o conteúdo, e com certeza escritores de conteúdo sempre terão uma audiência qualificada.

    Abraços.

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  10. Muito bom o texto, ainda bem que o li até o final. Encontrei seu blog agora e estou tentando ler o máximo de artigos que posso. Só na primeira pagina já vi ao menos quatro que me interessam.
    Parabens

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  11. Olá Sérgio!
    Você fala aqui de um problema que vi acontecer também na minha "atividade" com a cerâmica- sem o verdadeiro comprometimento,o apelo ao lúdico ou belo,o conhecimento e criação de novas técnicas e a responsabilidade para com a necessidade do cliente, muitos apenas desciam de paraquedas, para "copiar e cesvalorizar" o trabalho dos que, com paixão e suor, mantem a profissão com dignidade.
    Entretanto, os que buscam apenas as facilidades do negócio, não se manterão por muito tempo...isto é certo!
    Parabéns pela coragem de manter-se digno em sua profissão.
    Abraço,Vera.

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